31 de Março de 2018

A importância do aleitamento materno é indiscutível, e cada vez mais mães estão se conscientizando que o alimento é fundamental para o desenvolvimento dos bebês, principalmente, nos seis primeiros anos de vida, com a amamentação podendo se estender até os dois anos de vida da criança. No entanto, algumas mães, por diferentes motivos, inclusive em casos de restrição médica não podem oferecer o leite materno para seus filhos. Essas mães, ao invés de serem apoiadas, muitas vezes são julgadas pela sociedade e, mesmo, por pessoas próximas, o que pode gerar frustrações, culpa, desencadeando até episódios de depressão pós-parto.

A própria mulher também se cobra pelo fato de não estar amamentando. Isso acontece devido a forma como a questão do aleitamento materno é discutida e até imposta hoje em dia, como única alternativa para o desenvolvimento saudável dos bebês. Para entender um pouco mais sobre esse tema, e ajudar as mães e futuras mamães que vivenciam esse dilema, DOMINGO conversou com a assistente social, Edilene Torquato, que é coordenadora de Aleitamento Materno e Rede Cegonha, e líder do Projeto Parto Adequado da Maternidade Almeida Castro.

A especialista afirma que com a introdução da fórmula no mercado, houve um aumento no número de óbitos infantil (0 á 2 anos) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde (MS), iniciou campanhas de incentivo ao aleitamento materno e criou Políticas de apoio.

“Dentre as Políticas está a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), que tem dentre suas diretrizes capacitar seus profissionais para o manejo e apoio a mulher na amamentação. Nós, profissionais de saúde, desempenhamos um papel fundamental na assistência à mulher lactante. No entanto, a falta de preparo de alguns profissionais nessa assistência, o julgamento das pessoas achando que a mãe que não amamenta é menos mãe, muitas vezes essa pressão da sociedade leva a mulher a desistir de amamentar”, frisa.

Edilene orienta a mãe que está passando por essas dificuldades a procurar uma consultoria em amamentação, grupos formados por mulheres que já tiveram experiências positivas com a amamentação, participar de rodas de conversas no pré-natal nas UBS ajuda nesse processo. Enfim, a mulher deve buscar essas redes de apoio para empoderar-se e ter a amamentação com aliada na construção de uma vida saudável para seu filho.

A profissional também comenta que para ajudar essas mulheres a não sofrerem tanto, apoio, orientação e ajuda prática são fundamentais. “Hoje, há mães que amamentam e há mães que não amamentam. Em momento algum se deve julgar uma mãe, como melhor ou pior, por amamentar (ou não). A mulher tem opção de não amamentar. Ser mãe é tão mais do que amamentar. O essencial é amar o seu bebê, trazê-lo nos braços e com ele a vontade de dar o melhor, isso vai muito além de amamentar”.

Como orientação para as mamães que não conseguem amamentar, no que diz respeito a nutrição do bebê, e também na criação do laço que o ato de dar de mamar cria entre mãe e filho, Edilene explica que as mães que não conseguem amamentar devem procurar ajuda no Banco de Leite Humano, na Maternidade Almeida Castro, nas UBS ou no SOS Amamentação. A mulher precisa ser assistida e amparada para que possa desempenhar o seu novo papel social, o de mulher-mãe-nutriz.

“As impossibilitadas de amamentar por alguma patologia devem procurar um pediatra para decidir qual tipo de leite. O vínculo entre mãe e bebê não se constrói só na amamentação, ele se inicia ainda durante a gravidez, através dos sons como batimentos cardíaco, respiração e da voz . Quando o bebê nasce o toque, o cheiro, a voz e o colo são fortalecedores desse vínculo. A amamentação está interligada à gestação numa relação de continuidade, tanto no aspecto biológico quanto afetivo, onde a construção do vínculo mãe-filho se dá no decorrer dos nove meses. A decisão de amamentar da mulher está interligada à sua história de vida, ao significado que atribui a este ato ou por alguma patologia. Essa opção pessoal pode ser influenciada por alguns aspectos como o emocional, o social, o cultural e o econômico”, enfatiza.

 

Consultoria em Amamentação

 

Edilene Torquato também integra a equipe da SOS Amamentação, um serviço novo em Mossoró, que disponibiliza atendimento domiciliar de apoio, orientação, incentivo e promoção do aleitamento materno.

De acordo com a especialista, a SOS Amamentação tem como objetivo assistir as mulheres com dificuldades na amamentação, esclarecendo mitos e apoiando-as durante o processo, além de capacitar profissionais da área da saúde em Manejo da Amamentação.

Ainda estão entre os serviços oferecidos pelas consultoras a realização de palestras sobre Aleitamento Materno em Empresas, Universidades, Consultórios, Clínicas etc; consultoria domiciliar personalizada na gestação ou puerpério sobre amamentação e cuidados com o bebê; avaliação da mamada (correção da pega, sucção e ordenha); tratamento não farmacológico na fissura mamilar, ingurgitamento mamário e aumento da produção de leite; orientações sobre extração, conservação e administração de leite humano; e relactação.

De acordo com Edilene Torquato, essa consultoria especializada em amamentação é de grande relevância para o sucesso e manutenção da amamentação. “A amamentação é um ato psicossomático complexo, já que o leite é produzido no peito e na ‘mente’. É necessária uma disponibilidade emocional, uma disposição física e uma dedicação em tempo integral nessas primeiras semanas de vida do bebê. A mulher nesse período passa por diversos problemas como (pouco leite, fissuras, ingurgitamentos, bebê recusa o peito), e necessita do apoio de todos em seu entorno para amamentar, tendo em vista que ela é responsável pelo gestar e alimentar, e essa responsabilidade precisa ser dividida e apoiada”, ressalta.

A especialista explica que uma consultora em amamentação é uma profissional que tenha experiências, conhecimentos e habilidades para orientar adequadamente o manejo da lactação. Um profissional capacitado e experiente nessa área de aleitamento materno, certificados pelo IBCLC – International Board Certified Lactation Consultant, profissionais que adquiriram experiências no SUS – com Hospitais Amigos da Criança, Rede de Bancos de Leite Humano. É imprescindível ter conhecimento em técnica de aconselhamento, como habilidade de escuta, de tentar apreender o que a mãe está sentindo, quais os seus desejos e as dificuldades que algumas vezes é difícil verbalizar.

A mulher pode contratar os serviços de consultoria, que é exclusivamente domiciliar, ainda na gravidez, através do telefone 84-98723- 3818, agendando uma visita.

A especialista fala ainda sobre o importante papel das doadoras de leite. “Elas são mulheres sadias, que estão amamentado seus filhos, apresentam secreção láctea superior às exigências de seus bebês e se dispõem a doar o excedente por livre e espontânea vontade”. A especialista lembra ainda que o leite humano quando ordenhado tem duração de 12 horas gelado (dentro da geladeira) e 15 dias congelado ( congelador ou frezzer).

 

Nara Andrade

por Rapha Dorvillé

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